Romaria das CEBs - Participe!

Diocese
20·Abril·2017

No próximo dia 21 representantes das Comunidades Eclesiais de Base dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo se encontrarão em Volta Redonda para participar do Lestão. A abertura do evento será realizada às 16 horas, com a Romaria das Comunidades. A concentração será na Igreja Santa Cecília, na Vila Santa Cecília de onde partirá para a Igreja Nossa Senhora da Conceição, no Conforto, passando pelo Memorial dos Trabalhadores. Junto à Romaria será realizada uma caminhada contra as Reformas propostas pelo atual governo.  

Sobre o Lestão

De 21 a 23 de abril os representantes das Comunidades Eclesiais de Base dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, delegados indicados pelas dioceses, vão refletir sobre o tema do 14º Intereclesial das CEBs de 2018: CEBs e os Desafios no Mundo Urbano. E o lema “Eu vi e ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo” (Ex 3,7).

 

CEBs e os desafios do Mundo Urbano

                                     

                                    Eu vi e ouvi o clamor de meu povo e desci para libertá-lo – Ex 3,7

 

O mundo passa por muitos desafios: desemprego, fome, migração, crise ambiental, dentre muitos. Encarnada neste contexto, as CEBs à luz do 14o Intereclesial em Londrina é chamada a repensar profundamente e a relançar com fidelidade e audácia sua missão nos novos desafios da realidade brasileira.

Por milhões de anos a vida humana esteve inserida imediatamente na realidade rural, ainda que as cidades sempre tivessem existido, mas eram minoria. No entanto, alguns indicadores registram que houve uma inversão em até 80% em poucas décadas do final do século XX. A maioria de nós é de origem rural: ou nós mesmos viemos do campo para a cidade, ou foram nossos pais ou avós que tomaram esta decisão. E, por isso, ainda trazemos em nossa cultura e em nossos comportamentos muitas características que tornam difícil a aceitação da cultura urbana e do modo urbano de ser.

Os desafios do mundo urbano não se reduzem à cidade, mas referem-se a toda a sociedade urbana, ao ser humano, suas lutas e seus direitos. As contradições sociais emergem na realidade em toda a sua plenitude: os contrastes e as desigualdades de renda afloram cada vez mais. No mundo urbano acontecem complexas transformações socioeconômicas, culturais, políticas e religiosas, que causam  impacto em todas as dimensões da vida, estabelecendo um mal-estar existencial nas pessoas. Nas cidades convivem diferentes categorias sociais tais como:

  • as elites econômicas, sociais e políticas;
  • a classe média com seus diferentes níveis;
  • e a grande multidão de pobres.

Sendo assim, a especulação imobiliária prepara as cidades para todos os níveis sociais. O acesso a um pedaço de terra, o tamanho, o tipo de material de construção espelham nitidamente as diferenciações de classe, e, assim, os pobres sempre vivem nas periferias. O acesso à habitação e aos meios de consumo coletivo será diferenciado, e a re-produção do espaço é também o da reprodução da vida humana. O espaço urbano não se reproduz sem conflitos e as contradições inerentes a uma sociedade de classes. As práticas não se reduzem apenas à produção imediata, dentro da fábrica; é na vida cotidiana como um todo que essas contradições se manifestam mais profundamente, nas diferenciações entre:

  • os modos de morar, o tempo de locomoção;
  • o acesso à infraestrutura, ao lazer;
  • à quantidade e tipos de produtos consumidos, etc.

A cidade é expressão da materialização espacial das desigualdades emergentes na sociedade atual. As novas gerações são as mais afetadas pela cultura do consumo em suas aspirações pessoais mais profundas. Em meio à realidade de mudança cultural, emergem novos sujeitos, com novos estilos de vida, maneira de pensar, de perceber e com novas formas de se relacionar. Frequentemente nos deparamos com novas tecnologias e corremos o risco de não as usar adequadamente, pois faz-se necessário compreender o que significa encontrar-se diante de uma verdadeira “revolução tecnológica” que exige ir além dos instrumentos e tomar consciência das mudanças fundamentais que as novas tecnologias operam nos indivíduos e na sociedade como, por exemplo, nas relações familiares e de trabalho.  O doc. de Aparecida já acenou para esta realidade e agora as CEBs vem reavivar este desafiante cenário propondo uma reflexão para toda a Igreja no sentido de organizar sua pastoral não mais na cidade tradicional onde a vida era em função do redor da Igreja, da praça e da moradia, para organizar-se ao redor de muitos outros centros definidos por interesses, os mais variados possíveis na nova realidade, no que diz respeito à economia, à política, à cultura, à religião, ao lazer, etc.

Esta desigualdade social e a segregação urbana produzem uma forma grave de exclusão social, que é a limitação do Direito à Cidade. A desigualdade social está na origem dos muitos desafios que se apresentam hoje nas cidades. Por ser impossível definir objetivamente os problemas urbanos mais graves ou mais urgentes, foram apontados aqueles mais sentidos por animadoras/es da CEBs e que vão nortear toda a reflexão do 14o Intereclesial das CEBs que acontecerá em janeiro de 2018 na cidade de Londrina e que motivará o nosso Lestão, momento de preparação do Leste I para tão importante encontro. Foram selecionados os seguinte temas/realidades do mundo urbano que nos desafiam:

  • Moradia
  • Mobilidade
  • Violência
  • Meio ambiente e sustentabilidade
  • Trabalho
  • Saúde
  • Educação
  • Arte, cultura, esporte e lazer
  • Tecnologias de Informação e Comunicação
  • Afetividade/Sexualidade

Esta estrutura que configura as nossas cidades, por sua vez, apresenta novas urgências à ação evangelizadora da Igreja, sendo necessário buscar na sua própria dinâmica os elementos para orientar a ação pastoral que deve ser expressão de uma nova compreensão da fé e da igreja no contexto pluralista e diversificado da realidade de hoje. Ela parte do entusiasmo pela missão, de uma consciência missionária viva, mas deve ter seu momento de racionalidade para organizar as ações frente à complexidade dos desafios do mundo hoje. Que Deus nos ajude!

 

 

Fontes: Texto Base do 14o Intereclesial das CEBs

                FORMAG 2017-2018 – Londrina

                                                                                                          Equipe de Formação     

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