Audiência Pública pede explicações sobre presídio em Resende

Diocese
20·Abril·2017


Na noite desta quarta-feira, dia 19, cerca de 200 pessoas, moradores de Resende e região participaram de uma audiência pública na antiga sede da Câmara de Vereadores de Resende sobre assuntos relacionados ao presídio do município. A audiência foi proposta por movimentos sociais e pastorais, como a Pastoral Carcerária, e sensibilizada por vereadores. Participaram autoridades da região Sul Fluminense, o diretor do presídio Eliel Ogawa Júnior e o secretário de Administração Penitenciária do Estado do Rio, coronel Erir Ribeiro da Costa Filho.

O principal objetivo foi esclarecer às autoridades e comunidade a mudança da natureza do projeto, que no início foi aprovado como Casa de Custódia, ou seja, para atender pessoas encarceradas da região Sul Fluminense que aguardam julgamento, porém, desde março deste ano acolhe presos condenados. Uma vez que já opera como cadeia pública, representantes de entidades, Igreja católica e familiares de presos se manifestaram preocupados com as condições, principalmente do entorno da cadeia

“Depois de ampla participação tanto das autoridades quanto dos populares, decidiu-se formar uma comissão que se ocupe da temática carcerária. Uma comissão parlamentar que tenha uma atenção voltada para esta nova realidade social do nosso município. Decidiu-se também criar um conselho intermunicipal que também se ocupe das questões carcerárias. Este conselho intermunicipal seria formado por autoridades e populares dos municípios que se veem atendidos pelo presídio de Bulhões”, destacou o padre Rafael Ferreira, membro da pastoral carcerária e padre da paróquia Sagrada Família que avaliou como positiva a audiência.

A participação da população foi um dos pontos mais importantes da audiência. A dona de casa, Aparecida Campos disse que a audiência foi importante para mostrar que o povo não está alheio à realidade local. “Nós não estamos dormindo. Eles precisam saber que o povo aqui presta atenção no que eles resolvem fazer. Nessas mudanças sem nos perguntar o que queremos. Agora que já temos um presídio, é preciso que ele não nos ofereça risco e que trabalhe para a ressocialização dessas pessoas encarceradas”, desabafou.

 Entenda o caso

No início de 2017, o Governo a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap) mudou o perfil da cadeia pública. Em vez de receber presos provisórios, a instituição passaria a abrigar detentos do Sul Fluminense já condenados.

De acordo com o coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, 90% dos detentos que hoje estão no presídio são do Sul Fluminense. “Os 10% de outros locais que aqui estão foram trazidos porque uma unidade prisional como essa não pode operar abaixo de sua capacidade. Além disso o perfil dos presos que vêm para cá é de pessoas que não tem nenhuma facção e por isso oferecem menos risco à comunidade”, destacou o secretário.

Em março a cadeia começou a funcionar, porém a infraestrutura de acesso ao local continua precária. Populares e entidades questionam que não há transporte adequado para as famílias, a estrada ainda está precária e falta um acordo decisório entre prefeituras e o presídio quanto ao atendimento de serviços básicos aos detentos, sobretudo na área da saúde.