Homens se unem para rezar e se mobilizar pelo Fim da Violência contra as Mulheres

Diocese
07·Dezembro·2017

 

Na noite desta quarta-feira, dia 06, integrantes do Terço dos Homens e outros movimentos sociais da diocese de Barra do Piraí – Volta Redonda se reuniram para a recitação da oração do Terço na Praça Brasil, em Volta Redonda. A atividade fez parte da Campanha do Laço Branco que tem como lema: jamais cometer um ato violento contra as mulheres e de não fechar os olhos frente a essa violência.

De acordo com o diácono Adalberto Carlos Fontes, responsável pelo movimento do Terço dos Homens na diocese, a ideia de levar a ação para a praça pública foi de conscientizar para a não violência contra a mulher ao dar visibilidade ao movimento.

“Muito importante essa reunião dos homens aqui porque deu uma visibilidade na Praça Brasil, um local público. Tantas pessoas passaram e viram homens rezando o terço, isso já seria muito importante. E ainda com um cartaz que mostrou o motivo pelo qual rezamos neste dia em que os homens se juntam pelo fim de toda violência contra as mulheres. A partir de nossas casas com os maridos e com as esposas, eles conseguem transmitir isso na vida e para os filhos e filhas”, explicou.  

No Brasil, a data quer chamar atenção para o fato de que as mulheres ainda são as principais vítimas da violência de gênero no país. De acordo com a Cáritas Brasileira, entidade de promoção e atuação social que trabalha na defesa dos direitos humanos, da segurança alimentar e do desenvolvimento sustentável solidário, há mais de 40 anos ecoam as vozes das mulheres dizendo “quem ama não mata, não humilha e não maltrata”. Durante a ação em Volta Redonda, os organizadores lembraram ainda que a violência contra as mulheres não se resume à violência física ou doméstica, mas também aos assédios, como o sexual e o moral.

Para Maria Conceição dos Santos, que esteve no local, quando os homens combatem a violência abertamente são capazes de mudar comportamentos e atitudes de outros homens. “A violência contra a mulher fica muito entre as mulheres. Essa adesão dos homens é fundamental porque a violência contra a mulher não é impossível de acabar, ela depende da mudança de comportamento e de atitude. E essa atitude hoje aqui na praça, é uma forma de mostrar que estão dispostos a colaborar, a mudar e a serem transmissores dessa ideia, dessa mensagem para todos os outros homens”, destacou.

 

Sobre a data

De acordo com a Lei Federal nº 11.489/2007, o dia 6 de Dezembro ficou instituído como o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres. A data remete a um evento ocorrido em 1989, em Montreal, no Canadá, quando Marc Lepine, de 25 anos, invadiu uma sala de aula da Escola Politécnica e ordenou que os homens se retirassem para assassinar 14 mulheres.  O rapaz suicidou em seguida. Em carta, o jovem justificou o ato por não suportar a ideia de ver mulheres estudando engenharia, um curso tradicionalmente masculino.

Em um artigo publicado por ocasião do Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra a Mulher, 25 de novembro, a diretora-secretária do GT Mulheres da Cáritas Brasileira, Marilene Alves de Souza, Leninha, relatou que o não reconhecimento da gravidade da violência contra as mulheres e de suas raízes discriminatórias contribui não só para que as agressões aconteçam, mas também auxiliam a manter a situação de violência até o extremo do assassinato. Ela ressaltou que o feminicídio não é um crime passional ou homicídio privilegiado. Essas denominações minimizam o feminicídio e contribuem para a perpetuação da violência contra a mulher e o assassinato. “É necessário combater as causas da violência e uma delas é o machismo. Para isto precisamos estabelecer pactos nas relações sociais entre homens e mulheres que preservem a vida e que a violência machista seja considerada algo inaceitável por todas e todos”.