Missa comemora 50 e 60 anos de ordenação presbiteral

Diocese
24·Abril·2018

 No dia 20 de abril, fiéis de toda a diocese de Barra do Piraí – Volta Redonda, dioceses vizinhas e de diferentes partes do Brasil, se reuniram para louvar a Deus pelo Jubileu de Ouro de dom Francisco Biasin, bispo diocesano, e Jubileu de Diamante, comemorado em 07/04, de dom João Maria Messi, bispo emérito. 

“Dizer que estou feliz aqui é inútil porque eu sempre expresso a minha alegria por esta diocese que em muitos momentos do passado simbolizou a defesa da pessoa humana, simbolizou a resistência contra todo tipo de violência institucionalizada e imposta, simbolizou também vitórias muito consideráveis no campo social, na defesa dos direitos humanos...Não posso esquecer de dom Waldyr Calheiros, que é nosso profeta e patriarca, e de dom João Maria Messi. Um pastor bom e virtuoso. Em sinto a sua presença, dom João,  como uma presença fraterna, discreta mas muito forte no ministério da gente, dos padres e em toda a diocese. Eu creio que esta festa em conjunto é a maior expressão da nossa fraternidade, estima recíproca e empenho para fazer crescer a nossa Igreja Particular”, disse dom Francisco sobre a comemoração ao lado de dom João.

A missa foi realizada na igreja Nossa Senhora da Conceição, no bairro Conforto, em Volta Redonda. Foi presidida por dom Francisco Biasin e concelebrada pelo arcebispo do Rio e presidente do Regional Leste 1 (Estado do Rio), Cardeal Orani João Tempesta, o cardeal emérito de Aparecida (SP), dom Raymundo Damasceno, mais de 40 bispos de dioceses do Brasil, padres, diáconos, seminaristas, religiosos (as), autoridades civis e todo o povo de Deus.  

A homilia foi feita pelo bispo de Caruaru, dom Bernardino Marchió, o mesmo que ordenou dom Francisco Biasin bispo, em Pesqueira. “Não foi ele quem me escolheu, como eu não o escolhi. É uma história especial, um plano de Deus. Quando Francisco no dia 06 de setembro de 1943, nascia lá nas terras de Santo Antônio de Pádua, poucas horas depois lá nas terras de São João Bosco, eu também abri os olhos para este mundo. Quando seis dias depois os nossos pais nos levaram para a fonte batismal recebíamos a mesma graça da vida cristã. E esses dons – vida humana e a vida cristã – é que nos trouxeram hoje aqui”, contou dom Dino.

O bispo lembrou ainda que em 1968 quando dom Francisco foi ordenado padre, era um ano de contestação global. “Talvez os mais jovens não saibam disso, mas o ano de 1968 foi um ano de muitos desafios, mas também um tempo de renovação. Um tempo que nos provocou a viver nosso sacerdócio não como uma honra, mas verdadeiramente como serviço”, destacou dizendo ainda: “Aquilo que dom Francisco deu à Igreja na Europa e aqui no Brasil não é fruto dele, mas do Jesus que Maria confiou a todos nós. Então nele [dom Francisco] tem essa paixão pela Igreja, pela unidade e pelos pobres. Um verdadeiro pastor que dá a vida. E apesar dos quase 75 anos não pensa em se aposentar, mas como Maria aos pés da cruz continua sendo um servo por amor”, finalizou.

A missa foi marcada por homenagens. Dom José Palmeira Lessa, arcebispo de Aracaju ressaltou a devoção de dom João Maria Messi a Nossa Senhora, à Igreja e ao exemplo de Jesus para as vocações. “Antes de ser pare ele é um religioso. Ele tem na sua alma como verdadeiramente algo que envolve a ele a pessoa de Nossa Senhora na sua dimensão da mãe dolorosa, que ao mesmo tempo abraça o filho na humanidade sofredora. Essa característica já marcou ele como espiritualidade...”, lembrou.

Dom Lessa destacou ainda a doação de dom João aos pobres e doentes. “Quantas vezes lá no Rio ele saía de madrugada para atender doentes nos hospitais. Servir. Levar o conforto da fé, a graça de Deus, a enfermos, a pessoas nos hospitais. O servo de Deus tem seus planos de trabalho e horários, mas ele é de total disponibilidade como Jesus foi”, disse, ao lembrar ainda da intensa vida de oração e fidelidade. “Dom João é uma pessoa admirável como pastor, de intensa vida de oração e fidelidade a Deus. Nessa dimensão da vida de oração profunda, percebeu que Jesus é o sacramento do Pai... Dom João percebeu o quanto também essa dimensão da igreja enquanto sacramento é importante, e se tornou um homem zeloso com a liturgia, tendo sido bispo referencial da liturgia nesse regional...Ele foi sempre um amigo de todos, mas foi sobretudo, um amigo dos padres e dos seminaristas, como também das religiosas”, destacou.

“Nós temos que transbordar essa expressão de gratidão para com o senhor e para com nossos irmãos e irmãs...quando é que vocês encontraram aqui nessa igreja ou nessa diocese tantos bispos reunidos numa celebração? Acho que é a primeira vez. Isso é justamente a manifestação da comunhão colegial apostólica, justamente de todos os sucessores dos apóstolos, que se derrama em toda Igreja com os padres, os diáconos, os religiosos, as religiosas e todo o povo santo de Deus, leigos e leigas como falamos tão insistentemente nesse ano dedicado aos leigos...quero me congratular com dom Francisco por esse jubileu de ouro, que também vivi há 10 anos. Tudo isso é algo sacramental e nos une sempre mais. Essa experiência temos que vivê-la como rebanho, como pastores e rebanho”, destacou dom João.     

Cerca de duas mil pessoas participaram dessa festa da fé. Para Maria Cristina de Volta Redonda, a data renova a vida da Igreja. “Festejar aqui hoje com nossos queridos bispos nos anima a caminhar. Vendo o exemplo deles nos revigora. Saio daqui mais animada para nosso serviço pastoral”, comemorou.  

 

Sobre os bispos

 

Dom Francisco Biasin

Dom Francisco Biasin nasceu em Arzercavalli/Pádua, na Itália, em 06/09/1943. É filho de Attilio Biasin e Vitória Biasin. Foi ordenado sacerdote em 20/04/68 em Pádua.

No início da sua missão como padre atuou como "Vigário Paroquial na cidade de Fossò, Itália (1968-1972). Foi assistente eclesiástico da Ação Católica - setor jovens - do decanato e professor de religião nas escolas do estado. Fez Curso de especialização em catequese com os Salesianos em Milão.

Veio para o Brasil em 1972, como missionário “fidei donum” (do latim, “O dom da fé”). A missão foi um chamado desde 1957, do então Papa Pio XII, pedindo que os bispos do mundo inteiro colocassem padres de suas próprias dioceses a serviço dos bispos na África, e consequentemente em outras partes do mundo. 

Exerceu as funções de vigário paroquial e em seguida de pároco na Paróquia de São Sebastião de Gramacho, no município de Duque de Caxias, pertencente nesta época à diocese de Petrópolis. Foi coordenador da região pastoral da Baixada fluminense e dos padres “Fidei donum” da diocese de Pádua no Brasil.

Desde a criação da diocese de Duque de Caxias (1981) até 1985 continuou nas mesmas funções, quando foi nomeado Pároco da Catedral. Na mesma época exerceu por dois mandatos consecutivos vice-presidência da Comissão Regional dos Presbíteros do Regional Leste 1 da CNBB.

Em Duque de Caxias, vivenciou momentos marcantes na busca pela dignidade da pessoa humana à frente do “Comitê de Solidariedade” do município para ajuda emergencial em ocasião das enchentes de 1988.

Transferido para a Diocese de Itaguaí, foi vigário paroquial de Mangaratiba – RJ (1990). Em 1991 foi escolhido como Diretor Espiritual e Professor de Pastoral e Teologia Espiritual no Seminário de Nova Iguaçu – RJ. No mesmo ano foi nomeado Vigário Geral e Coordenador de Pastoral de Itaguaí, função em que permaneceu até 08 de julho de 1998, data em que foi eleito Administrador Diocesano da Diocese após a renúncia do Bispo.

Foi coordenador, professor e animador do curso de iniciação à teologia para leigos na diocese (1998-2000); Pároco da Paróquia Santa Teresinha de Piranema em Itaguaí (1994-2001). Em março de 2001 assumiu como Pároco a Paróquia Nossa Senhora da Guia de Mangaratiba RJ, continuando a exercer a função de Coordenador de Pastoral da Diocese até julho de 2002. Em fevereiro de 2003, a pedido do bispo, retornou à Diocese de Pádua, Itália, onde, no dia 25 de março, foi nomeado Diretor do Centro Missionário diocesano, Coordenador da Dimensão Missionária da Diocese e Diretor das POM.

Foi nomeado bispo por dom Bernardino Marchió em 12/10/2003, já no Brasil. Seu lema é "Dar a vida pelos irmãos".

Sua primeira missão como bispo foi em Pesqueira (PE) entre 2003 e 2011. Foi nomeado para a Diocese de Barra do Piraí - Volta Redonda em 8 de junho de 2011 e tomou posse em 28 de agosto do mesmo ano. Atualmente é o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da CNBB e membro do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso. 

Dom João Maria Messi

Nasceu em Recanati, na localidade de Santa Cruz, na Itália, em 5 de outubro de 1934. Filho de Maria Caporaletti e de Orestes Messi, é o mais novo dos três irmãos.

Ingressou no seminário São Felipe em Montefano em 1946 e em 1949 passou a estudar no seminário dos Servos de Maria em Ronzano. O noviciado foi em Reggio Emília, onde frequentou o Liceu e fez sua primeira profissão religiosa, com votos de pobreza, castidade e obediência. Sua formação filosófica aconteceu junto ao Sdudium Geral dos freis dominicanos, em Bolonha.

Sua primeira viagem ao Brasil, em novembro de 1953, teve o objetivo de continuar os estudos filosóficos e teológicos, na cidade de São Paulo. Na capital paulista, emitiu sua profissão Solene dos votos religiosos na Ordem dos Servos de Maria.

Voltou para Roma em setembro do mesmo ano e, em dezembro de 1957 foi ordenado diácono. Em 7 de abril de 1958 recebeu sua ordenação presbiteral, em Roma. A volta para sua terra natal foi em 6 de julho de 1958, data em que celebrou sua primeira Missa, na mesma igreja em que recebeu sua primeira Eucaristia.

Em 17 de agosto do mesmo ano retorna ao Brasil, onde assumiu a missão de professor do seminário dos Servos de Maria, em Turvo, Santa Catarina. Em 1961 assume a Cátedra de professor de Filosofia no seminário Servos de Maria, em São José dos Campos. De 1963 a 1968 foi pároco na paróquia Nossa Senhora das Dores dos Servos de Maria, no Rio de Janeiro. Voltou à Itália, depois de dez anos, lá permaneceu até 1969, quando volta ao Rio de Janeiro. Em 1971 recebe licenciatura em Filosofia e Ciências Humanas. Nos dois anos seguintes dedica-se ao trabalho missionário no Amazonas. Se tornou, em 1982, o primeiro professor de Espiritualidade para noviços no Seminário dos Servos de Maria, em Curitiba.

No dia 15 de junho de 1988, João Paulo segundo o nomeia bispo auxiliar da Arquidiocese de Aracaju, onde ingressou em 11 de setembro do mesmo ano. Foi nomeado arcebispo de Irecê, na Bahia, em 21 de março de 1995 e lá ficou até 1999.

 

Nesse ano foi nomeado bispo da diocese de Barra do Piraí/ Volta Redonda, onde teve seu ingresso oficializado no dia 27 de fevereiro de 2000 e onde permaneceu como bispo diocesano até 2011.  Mesmo depois de sua renúncia, quando dom Francisco Biasin assumiu, dom João, bispo emérito continua sendo uma presença marcante na diocese de Barra do Piraí Volta Redonda, onde permanece realizando atividades e acompanhamento. 

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