Celebrar a Semana Santa - Padre Antonio Alves de Melo

Igreja
15·Abril·2019


            A fé cristã tem por base uma história e não uma doutrina. É a história da vinda de Deus em Jesus Cristo a fim de permanecer para sempre conosco. Na Semana Santa celebramos os acontecimentos mais importantes dessa história: a paixão, morte e ressurreição do Senhor Jesus, o chamado Mistério Pascal. Não se trata da simples recordação de acontecimentos passados, pois aquilo que se recorda de certo modo se faz presente na ação litúrgica pela ação do Espírito Santo.

            O Domingo de Ramos celebra a entrada messiânica de Jesus em Jerusalém. A multidão vai ao encontro de Jesus com ramos nas mãos e o aclama: Bendito o que vem como rei em nome do Senhor (cf. Lc.19,29-40).Os acontecimentos mostrarão a superficialidade daquela euforia. Põe-se para nós hoje a pergunta: a participação na procissão de ramos se reduz a uma prática piedosa superficial ou exprime o empenho de fazer do cotidiano uma proclamação da fé em Jesus Cristo mediante atitudes e palavras? Não podemos esquecer que após a procissão dos ramos vem o mais importante que é a celebração da eucaristia.

            A Quinta-Feira Santa é o início do Tríduo Pascal. Trata-se de uma liturgia festiva, pois celebramos a instituição da eucaristia, o mandamento do amor e o ministério ordenado. Na eucaristia, o Senhor se dá a nós como alimento e bebida. Assim fortalecidos vamos caminhando no mundo e na história. O mandamento do amor deixado por Jesus é muito mais do que uma lei a ser cumprida. O amor é uma luz que ilumina a vida da pessoa, uma energia que põe a pessoa em movimento. O amor penetra e configura a pessoa na totalidade de sua existência. Por isso ele se manifesta quer nas pequenas ações de cada dia, quer nos compromissos de luta na comunidade e no mundo. O lava-pés foi o símbolo escolhido pelo próprio Senhor a fim de ajudar-nos a compreender o novo mandamento. Instituído por Jesus, o ministério ordenado representa o Bom Pastor na condução da igreja mediante a presidência, o ensino e o acompanhamento das comunidades. A celebração começara festiva, mas termina em meio a um clima de tristeza ao recordar a prisão do Senhor.

            Na Sexta-Feira Santa celebramos a liturgia da paixão e morte do Senhor. Nesse dia não se celebra missa. Proclama-se a palavra de Deus, destacando-se a paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João. Em seguida, se fazem as orações universais, onde se reza pela humanidade inteira, por diversas categorias de grupos e pessoas, pela igreja nos diversos grupos que a formam. Segue a adoração da cruz e a comunhão. A liturgia começara em silêncio e termina em silêncio. Maria e os discípulos sepultaram o Senhor no anoitecer daquela sexta-feira. Tudo parecia ter acabado.

            Sábado Santo é o dia do grande silêncio e da grande espera. O Senhor Jesus dorme, mas logo despertará.

            A Vigília Pascal é a principal solenidade do ano litúrgico. É uma celebração litúrgica de admirável beleza. São numerosos os elementos que a constituem: bênção do fogo novo, procissão, proclamação da Páscoa, liturgia da palavra, liturgia batismal, liturgia eucarística. Tudo isso tem em vista celebrar aquele acontecimento considerado por nós o acontecimento supremo da história: a vitória de Jesus Cristo sobre a morte e sua ressurreição gloriosa. Jesus Cristo vive e viverá eternamente. Ele revela o sentido da criação e da história. A vida venceu a morte. O amor venceu o ódio. A verdade venceu a mentira. A liberdade venceu a opressão. A história da humanidade prossegue na mistura de luz e sombra. Pode acontecer, como acontece agora, que os tempos se tornem sombrios e os horizontes se estreitem. O cristão, porem, prossegue caminhando na fé, na esperança e no amor porque crê em Jesus Cristo morto e ressuscitado. Ele dirá a última e definitiva palavra, quando toda a criação e toda a história forem assumidas em sua glória. Essa palavra, porém, já foi dita naquela misteriosa noite do sétimo para o primeiro dia da semana, quando o anjo anunciou às mulheres: "Ele não está aqui. Ressuscitou, como havia dito" (Mt 28,6).


Pe. Antonio Alves de Melo