Somos peregrinos de esperança

Neste ano, a Igreja Católica celebra o Jubileu da Esperança, ocasião em que os fiéis de todo o mundo se dirigem a Roma, centro da cristandade, a convite do Sucessor de Pedro.

Santo Agostinho já recordava sua missão de ser batizado e bispo. Dizia ele: “Para vós sou bispo, convosco sou cristão.” O "Para vós sou bispo" refere-se à sua posição hierárquica na Igreja, uma responsabilidade e um ofício que lhe conferem uma autoridade especial sobre os fiéis. É uma referência ao seu cargo, ao seu dever e, ao mesmo tempo, ao perigo de se orgulhar de sua posição.

Já a frase "Convosco sou cristão" aponta para sua identidade fundamental como seguidor de Cristo, compartilhada com toda a comunidade batizada. A fé que o une a todos os outros batizados é a fonte de sua salvação e, portanto, seu maior consolo.

A minha peregrinação como bispo diocesano à Cidade Eterna se torna um momento significativo de renovação espiritual e comunhão com a Igreja universal, para apresentar a Deus as súplicas e desafios, assim como a gratidão pelas conquistas de nossa diocese ao longo desses 100 anos.

Durante minha estadia, visitarei as basílicas patriarcais e terei a graça de saudar o nosso Papa Leão XIV, expressando toda a nossa unidade e comunhão, bem como a total adesão ao seu magistério. Um momento marcante será a solene concelebração da dedicação da Basílica de São João do Latrão. A Basílica de São João do Latrão, catedral do Papa e uma das quatro basílicas maiores de Roma, é um símbolo da unidade da Igreja.

Sua história remonta ao século IV e é um testemunho da fé dos cristãos ao longo dos séculos. A cerimônia de dedicação, que ocorre anualmente no dia 9 de novembro, é um momento de profunda reflexão sobre a missão da Igreja e seu papel no mundo contemporâneo.

A peregrinação do bispo é uma oportunidade para os fiéis redescobrirem a importância da comunhão e da esperança em tempos desafiadores. A visita às basílicas patriarcais, como a de São Pedro, São João do Latrão, Santa Maria Maior e São Paulo Fora dos Muros, oferece um espaço sagrado para a oração e a contemplação. Cada basílica é um convite à meditação sobre a vida dos santos e a rica herança espiritual da Igreja.

Durante a concelebração com o Papa, não apenas representarei nossa diocese, mas também colocarei no altar da assim considerada "mãe de todas as igrejas", por ser a catedral do Papa, bispo de Roma, e por ser a igreja mais antiga e a principal da cidade, as intenções e os anseios de todos os fiéis que buscam fortalecer sua fé e esperança. Esta experiência única de comunhão com o Santo Padre e com bispos de diversas partes do mundo é um testemunho da unidade da Igreja, que transcende fronteiras e culturas.

O Jubileu da Esperança é um chamado à renovação. Em um mundo que muitas vezes parece sombrio, a peregrinação é uma luz que nos guia de volta ao essencial: a fé em Cristo e a vivência do amor ao próximo. Ao retornar, trarei comigo não apenas as bênçãos recebidas, mas também o compromisso de transmitir essa esperança renovada à nossa comunidade.

Convido, portanto, a todos, o querido clero e fiéis, a acompanharem essa importante peregrinação em oração, unidos ao seu bispo em espírito e em coração. Que essa experiência em Roma renove nossa caminhada de fé e nos inspire a viver com mais intensidade o amor de Deus em nossas vidas e em nossa diocese. Assim, fortalecidos pela esperança, seremos capazes de testemunhar a luz de Cristo no mundo.

O Senhor é nossa força! 

† Luiz Henrique da Silva Brito

Bispo Diocesano